Candidatos autárquicos

Começam a agitar-se, de um modo particularmente interessante, os campos da política local. Por todo o país, candidatos, candidatos a candidatos, e candidatos a afins, mostram a sua disponibilidade para servir a causa pública.
Esta atitude voluntariosa merece dois reparos.
O primeiro reparo prende-se com um aplauso. Num período em que a classe política é tão vilipendiada, duvidada e desacreditada, reconheço que todos aqueles que perseguem lugares públicos, precisam de um certo idealismo para assumirem posições tão incómodas. As eventuais remunerações não chegam para explicar o conjunto de trabalhos novos, horas fastidiosas, discussões cansativas e reuniões infrutíferas associadas às eventuais funções. Daí que outras dimensões são apontadas para equilibrar este cálculo. Essas dimensões vão desde o caminho comum da carreira política (o que quer que isso signifique em Portugal) até a resposta a pressões de grupos de suporte e à busca de prestígio e reconhecimento.
O segundo reparo é relativo à superficialidade dos discursos que se vão produzindo. Quem lê e ouve muitos dos candidatos a autarcas, deve fazê-lo com um sentido crítico. E quem lê e ouve muitos destes discursos com sentido crítico duvida que esteja em Portugal no ano de 2013. Quem lê e ouve muitas destas mensagens com um sentido crítico fica a questionar se os candidatos a autarcas sabem o que vão encontrar, se sabem ler uma folha financeira, a diferença entre um Balancete e um Razão, ou o porquê do endividamento sustentado em ativos financeiros. Ou perguntará se sabem que as propostas de multidões de empregos locais jamais podem ser autorizadas pelas entidades municipais ou então se os planos de ordenamento não têm a liberdade de quem pensa que tudo pode ser desenhado no papel do guardanapo do café.
Mas, no entanto, ainda há candidatos sérios. Ainda há candidatos que não vão prometer o que não podem cumprir. Que não vão oferecer trabalho quando sabem que terão de gerir bolsas de desempregados. Que não vão aumentar o passivo municipal. Que não vão seguir a política do betão ou a do asfalto sem utilização. Ainda há esses candidatos. E esses serão os que vão perder as próximas eleições autárquicas.
Mas, como solução, existe um dos Axiomas da Democracia: Em democracia, os eleitores merecem sempre os eleitos que escolhem.


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